FUTHistórias: Conheça a trajetória de Mohamed Salah


Por: João Victor Viana
Futebol News
Salah foi eleito o melhor jogador africano nos anos de 2017 e 2018 pela Confederação Africana de Futebol (Foto: Instagram @liverpoolfc)


Hoje em dia é impossível encontrar alguém que goste de futebol e não conheça Mohamed Salah. O atual camisa 11 do Liverpool vive o melhor momento de toda sua carreira. Com números espetaculares, o africano é um dos melhores jogadores do planeta, na atualidade.

Mas para chegar onde está hoje, o atacante, que já foi lateral esquerdo, precisou lutar muito para realizar seu sonho de ser um grande jogador de futebol.

Mohamed Salah Ghaly nasceu no dia 15 de junho de 1992, em uma pequena vila na Província de Garbia, chamada Nagrig, no Egito.

O sonho de ser jogador profissional pareceu ser algo inato ao egípcio. Desde criança, já se dedicava em busca de se destacar por onde jogava, pois sabia que para chegar ao topo saindo de uma pequena vila no Egito, precisaria se sobressair mais que os outros.

Salah assinou seu primeiro contrato aos 14 anos de idade, no ano de 2006. O primeiro clube do então lateral esquerdo foi o Al Mokawloon.

Porém, as dificuldades não chegaram ao fim. A sede do Al Mokawloon é em Cairo, capital do Egito, a distância que o jovem sonhador precisava percorrer de segunda a sexta para os treinamentos, era de aproximadamente 130 km. Se locomovendo de ônibus, Salah gastava 9 horas por dia para se ir de Nagrig até Cairo.

Necessitando viver esta realidade, os estudos foram sacrificados. O ainda adolescente, obteve uma liberação que o concedeu permanecer na escola apenas por duas horas diárias.   

Tendo a velocidade e a finalização como marcas registradas, foi nas categorias de base que Salah saiu da linha de defesa para compor a linha de ataque, de onde nunca mais saiu.

No ano de 2009 o sonho de garoto foi alcançado. Na época com 16 anos, Mohamed Salah foi promovido ao time profissional. Por não fazer parte do elenco desde o início da temporada, as oportunidades não foram muitas, ele participou de apenas cinco partidas, sem balançar as redes.

Foi em 2010-2011, já com 18 anos, integrado ao elenco desde o começo da temporada, que a promessa egípcia começou a mostrar que era realmente diferente. Se tornando titular, ele fez 23 jogos e 5 gols, mas seu time acabou rebaixado.

Já na temporada 11-12, ocorreu o fato que poderia ter acabado precocemente com a carreira de Salah. O maior desastre do futebol egípcio, e um dos maiores do mundo. A invasão de campo na partida entre Al Ahli e Al Masry gerou conflito entre torcidas, polícia e todos do evento, inclusive jogadores. A catástrofe deixou 74 mortos e mais de 1000 feridos. O resultado disso tudo foi a paralisação de todo futebol profissional no Egito por dois anos.

Apesar do contexto caótico para Salah, o jovem que estava com 19 anos já tinha demonstrado seu potencial. Em razão disso, ele era sempre convocado para a seleção sub-23 do Egito, assim atuando em jogos oficiais com alguma frequência.

Foi neste período que o, na época, promissor jogador egípcio começou a ser observado pelo Basel, da Suíça. De forma estratégica, o clube do país dos chocolates e dos relógios marcou um amistoso com a seleção do Egito sub-23, justamente para observar Salah. Foi então que ele carimbou o passaporte para ir para Europa. Arrebentou com o jogo, e foi contratado por 2,5 milhões de euros, em abril de 2012.

No Basel, Salah se tornou destaque novamente. Na temporada 12-13, o Basel se consagrou campeão suíço. Mas o atacante despertou mais a atenção dos europeus na Liga Europa, ele marcou e contribuiu na eliminação do Tottenham nas quartas de final, fez gol também contra o Chelsea, mas não evitou a desclassificação de seu time nas semifinais. Individualmente, alcançou 50 jogos e 10 gols.

Na seguinte temporada, ele manteve o bom nível de futebol e foi contratado pelo Chelsea ainda na janela de inverno. O valor da compra foi de 16,5 milhões de euros, e o africano se despediu do Basel com 79 partidas e 20 bolas na rede.

Atuando pelo Chelsea, o jogador com 21 anos na época, não foi aproveitado da maneira que todos esperavam. Com José Mourinho no comando dos Blues, foram apenas 11 partidas e 2 gols no primeiro semestre de 2014.

Após as férias, o que se pensava é que com a pré-temporada, estando no mesmo patamar de todos do elenco, Mourinho o aproveitaria de uma melhor maneira. Nada disso. O que aconteceu foi ainda pior, Salah só entrava perto do fim das partidas. Na primeira metade da temporada 14-15, ele participou de somente 8 jogos.

Desvalorizado no clube londrino, oficializou-se em fevereiro de 2015 um empréstimo do jogador para a Fiorentina da Itália. Após expectativa frustrada na Inglaterra, aquilo era um recomeço para o atleta.

Na equipe de Florença, a camisa número 74 foi a escolhida, em memória dos mortos no desastre de Port Said, de 2012. Em meia temporada, o atacante contribuiu bem para o alcance do quarto lugar no Campeonato Italiano. Ele jogou 26 vezes e anotou 9 tentos.

Mesmo com a confiança mais elevada, Salah não continuou no Chelsea. Um novo empréstimo foi acordado, dessa vez para a Roma. A partir daí as coisas só melhoraram. Usando a camisa 11, o canhoto foi extremamente importante para o clube, da capital italiana, alcançar a terceira posição do Calcio. Apresentando um futebol louvável, ele foi o artilheiro – com 45 jogos e 15 gols – e o melhor jogador da temporada 2015-2016 da equipe.

Não restou outra alternativa para a Roma, a não ser comprar o jogador que possuía de 23 para 24 anos. O investimento foi de 15 milhões de euros.

Definitivamente da Roma, o futebol admirável de Salah continuou acontecendo. Em mais uma temporada sem título, a Roma chegou em segundo no Campeonato Italiano, e o africano marcou 19 gols em 41 partidas.

Com duas boas temporadas seguidas, o assédio para ter o futebol de Salah voltou a ser grande. Gigantes da Europa disputaram para contratá-lo. Foi nesta janela que o egípcio voltou para a Premier League; o Liverpool desembolsou 42 milhões de euros para comprar o atleta, assim ele se tornou o africano mais caro da história e a contratação mais cara da história dos Reds.

E na temporada 2017-2018, Mohamed Salah dispensa comentários. Gols, assistências, dribles, ele só não fez chover em campo. Indiscutivelmente, ele mudou de status no futebol mundial. Entrosando rapidamente com os companheiros de ataque Roberto Firmino e Sadio Mané, o trio alegrou muito o comandante Jürgen Klopp. O Liverpool voltou a ser protagonista em cenário continental, chegou à final da Champions League após 11 anos.

Salah fez algo impressionante nesta temporada. Em seus cinco primeiros anos como profissional, ele havia marcado 42 gols, só em 17-18 o egípcio anotou 44 bolas na rede, algo fora do comum. Em linhas gerais foram: 51 partidas, 44 gols e 14 assistências. Isso lhe rendeu a 3ª posição no prêmio “The Best” da FIFA, e um 6º lugar no ranking da Bola de Ouro, prêmio da revista France Football.

Não só no Liverpool, mas também na seleção do Egito, Salah foi o protagonista disparado. Ele participou de praticamente todos os gols dos egípcios durante as eliminatórias, além de marcar os dois gols na vitória por 2x1 sobre o Congo, no jogo decisivo para a classificação; inclusive, o segundo gol foi marcado aos 94 minutos de partida. O Egito voltou a disputar uma Copa do Mundo após 28 anos.

O jogador é ídolo em seu país de origem. Paredes pela capital possuem seu rosto pintado, só se encontra camisas da seleção do Egito com o número de Salah as costas, o 10.

E ele não é ídolo só pelo futebol. O faraó – apelido carinhoso do jogador – financiou a construção de um hospital e uma escola em sua cidade natal. Isso só faz aumentar a idolatria por ele no país das pirâmides.

Na atual temporada, o atacante vem atuando em uma nova posição. Está mais centralizado, e os números continuam muito bons. Até agora foram 29 jogos, 16 gols e 8 assistências. E ele continua comandando a equipe do Liverpool, que hoje é líder da Premier League.

Esta é a trajetória de Mohamed Salah. O egípcio sonhador, que lutando muito, conquistou seu grande sonho de ser jogador de futebol e hoje é ídolo nacional e mundial.

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