O equilíbrio das principais ligas europeias


Alavés hoje é sexto colocado na La Liga e briga por vaga na UEFA Champions League. Imagem: financefootball.com
Por Rodrygo Nascimento
FutebolNews

Nesta temporada 18/19 estamos presenciando o que há de melhor, em termos de futebol jogado, nas principais ligas europeias. Espanha com o Barcelona e surpresas como Alavés e Getafe. Alemanha com a recuperação do Borussia Dortmund e Bayern de Munique, boas equipes como RB Leipzig e Frankfurt. Inglaterra com a intensidade do Liverpool, o jogo mais plástico do Manchester City, tradição do United e a grande surpresa Wolverhampton. Enquanto na Itália o domínio da Juventus continua, ascensão do Milan foi o ponto mais positivo. O que tem de semelhança nessas ligas? A diversificação de sistemas e modelos de jogo que conseguiram aproximar, melhorar ou diminuir o domínio de outras equipes mais relevantes, automaticamente gerando mais equilíbrio. Algo que se via bem pouco em anos anteriores.

Piatek e Paquetá são os grandes expoentes da boa fase do Milan.
Deram opções à Gattuso como força ofensiva e efetividade para quebrar linha do adversário.
Imagem: espnfc.espn.com.br
Esta diminuição no distanciamento entre os mais poderosos para as equipes de média e pequeno, porte tem dado mais emoção e atraindo olhares diferentes para estes campeonatos. A recuperação de gigantes como o Milan no Calcio também é uma amostra desta diminuição. A equipe treinada por Gennaro Gattuso conseguiu um padrão de jogo, automaticamente melhorou sua colocação na competição, voltando a figurar entre os 5 melhores times. Contratou jogadores de destaque como Lucas Paquetá e Piatek, cobiçados por outros gigantes europeus. O ex-jogador e atual comandante sofre criticas pela postura da equipe em algumas partidas, porém, convém dizer que recuperou o que o time Rossoreno mais precisava que era ser temido quando jogar em casa no San Siro e vir forte para brigar por título, como a Copa Itália que hoje está na semifinal. O 4-1-4-1 tem sido predominante nas partidas do Milan, Paquetá é peça fundamental, ele acaba sendo o ponto de equilíbrio no momento de ataque e defesa quando os mecanismos de transição precisam ser acionados e logo o comportamento altera.

O português Rubens Neves tem chamado atenção na Premier League,
atuações consistentes, mostrando um bom futebol e evidenciando a
boa fase dos Wolves. Imagem: premierleague.com

Na Inglaterra, o time de Nuno Espirito Santo acumula bons resultados. Vitórias recentes contra Liverpool e Manchester United na Copa da Inglaterra. Futebol vertical, velocidade com os homens de meio campo Rubens Neves, João Moutinho e Dendoncker , Raul Jiménez, Diego Jota e Ivan Cavaleiro revesam o protagonismo no ataque. A organização tática da resultados que não eram esperados de uma equipe recém chegada da Championship (Segunda Divisão da Inglaterra). O que dizer então do Manchester de Ole Gunnar Solskjaer? Uma campanha surpreendente no segundo turno. De terra arrasada, um time sem organização alguma, totalmente perdido e acumulando resultados negativos. Hoje encontra-se em situação totalmente reversa, encontrou um padrão de jogo, potencializou jogadores que não vinham tão bem como Paul Pogba e Romelu Lukaku, rapidamente os resultados vieram e com isso a efetivação do até então interino. Sobre o lado azul de Manchester e a equipe de Jürgen Klopp são o que mais de moderno no futebol atualmente. Filosofias diferentes, entretanto executadas com maestrias. O City com toque de bola sempre de forma ofensiva, sufocando o adversário na marcação alta, variações táticas e uma aula de o que há de melhor na relação de função x posição. Enquanto o Liverpool tem como a natureza do seu treinador a intensidade, sempre usando e abusando das jogadas pelos lados do campo, pressão no setor central com os meio-campistas.

O Frankfurt tem surpreendido nesta temporada alcançando as Quarta de final da Europa League,
ocupa a quarta colocação da Bundesliga que da vaga para a UEFA Champions League. Imagem: thesefootballtimes.com

Na Alemanha o que acontece não é muito diferente. Apesar de começar a Bundesliga muito mal, o treinador Niko Kovac conseguiu encontrar na variação entre 4-1-4-1 e 4-3-3 a melhor formação para tirar o melhor de cada jogador do Bayern de Munique. Aproveitando os tropeços do seu principal rival, diminuiu a diferença de pontos, que chegou a ser de 15 pontos, hoje é apenas de 2 pontos. Em contrapartida, o suíço Lucien Frave com um elenco bem menos estrelado e qualificado quanto o seu principal perseguidor, segue fazer um excelente trabalho. Jovens valores como Jadon Sancho, Pulisic são comandados por Reus e Witsel que ditam o ritmo do jogo. Com seu tradicional 4-2-3-1 arrancou uma vitória no primeiro turno por 3x2 contra a equipe de Munique, e no sábado (06) busca mais um resultado positivo para se aproximar do título. Alemanha segue bem representada, RB Leipzig e Frankfurt. Terceiro e quarto colocados respectivamente.  O primeiro ainda sonha com chances, remotas, de título da liga Alemã, na Copa da Alemanha segue vivo após eliminar o Augsburg nas quartas de final. O grande nome do time é o alemão Timo Werner e ao lado dele o sueco Emil Forsberg. Os dois dão um toque de mais categoria a equipe que trabalha com intensidade de Sabitzer e Kampl. Tyler Adams e Haidara também fazem parte deste conjunto, revesando entre si. A variação tática pode ser um 4-3-1-2 ou 4-2-2-2, mas nunca abrindo mão da intensidade, com os meias sempre correndo do meio para a ponta e neutralizando as jogadas centrais do adversários, o brasileiro Matheus Cunha, ex-Coritiba, também faz parte do plantel que, apesar da eliminação na primeira fase da Europa League, segue dando orgulho a sua torcida. Mesma situação que se encontra o Frankfurt, uma equipe extremamente organizada e competente taticamente. Destaque principalmente para Jovic, que é sondado por equipes da Espanha e Rebic, vice campeão com a Croácia. Adi Hütter segue conseguindo feitos positivos com o Eintracht, hoje está nas Quartas de final da Europa League e quarto colocado na Bundesliga, tendo o terceiro melhor ataque e a terceira melhor defesa.

Na imagem o experiente Jorge Molina, 36 anos de idade,
vice artilheiro da equipe com 10 gols em 30 jogos.
Imagem: thegardian.com

Na Espanha talvez seja o país com o maior equilíbrio, apesar do domínio Catalão. Variações táticas conseguem fazer com que equipes menores consigam surpreender as maiores ou mesmo times de médio porte. Alavés e Getafe são as principais provas disso. Organização defensiva e efetividade no último terço conseguiram fazer ambas as equipes brigar por vaga na UEFA Champions League. Valencia e Bétis com propostas distintas surpreendem por conseguir resultados positivos nesta temporada, diga-se a vitória da equipe Alviverde contra o Barcelona e o time de Marcelino venceu o Real Madrid em casa na La Liga e conseguiu chegar à final da Copa do Rei, com chances de título. Até mesmo equipes que brigam para não cair como Huesca, Rayo Vallecano, Levante e Villareal fazem boas apresentações, mostrando comprometimento dos atletas, filosofia de jogo, mesmo que tenham comportamentos distintos, provando que não precisa ter um super elenco para ter organização e filosofia de jogo. Formações diversas com 4-3-2-1, 3-4-1-2 ou 4-2-3-1, indiferente a formação, mas o objetivo é o mesmo, conseguir sobressair frente as grandes equipes.

Sabe qual é a semelhança em todos esses campeonatos? São as equipes de médio e pequeno porte conseguir igualar campanhas, conquistando vitórias e adaptando seus elencos, muitas vezes limitados, a filosofia de jogo de seus comandantes. Cenário parecido para equipes grandes que conseguem retomar o rumo durante o campeonato. Organização tática tem sido a "frase da moda", entretanto com uma importância extrema e que consolida as equipes. Parabéns aos comandantes que conseguem e que o equilíbrio nas ligas permaneça.



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