O fim catastrófico de uma vida que parecia ser datada ao sucesso

Foto: Extra

Por Gabriel Santos
FutebolNews

E mais uma vida carioca teve seu desfecho. No último sábado (22), o jogador Thalles, ex-Vasco e que estava atuando na Ponte Preta faleceu após se envolver em um acidente de moto, deixando o Brasil inteiro em estado de choque.

A carreira futebolística de Thalles era muito mais promissora do que acabou sendo. Surgiu no Vasco como um ótimo atacante, rápido, forte, com uma ótima noção ofensiva e bem matador. Para muitos chegou a ser tratado como o futuro da Seleção Brasileira, era um talento inegável que surgia nas categorias de base do Gigante da Colina.

A realidade de Thalles na infância era como a de muitas outras inocentes crianças, vida difícil, na periferia, sem saber ao certo o que estava acontecendo ao seu redor, mas buscando um refúgio na bola, na diversão pura que era jogar futebol tentando se esquivar dos problemas que ele enfrentava mesmo jovem.

Ali ele cresceu, se desenvolveu, foi jogar no Vasco, seu clube de coração, aos 11 anos de idade, pelas categorias de base. A família dele é toda vascaína, e todos eles não poderiam estar mais orgulhosos quando, aos 17 anos, em 2013, Thalles subiu ao profissional do Gigante da Colina. Ali parecia que uma linda história iria se desenhar.

Em sua primeira partida como titular fez logo 2 gols. Foi uma partida em que o Vasco não vinha com foco total, era Copa do Brasil e a briga contra o rebaixamento era intensa, os reservas foram enfrentar o Goiás e Thalles deixou sua marca 2 vezes, na vitória de 3x2 do Cruz-maltino.

O rebaixamento veio e Thalles teve de jogar a segunda divisão, e enquanto ia evoluindo aos poucos no Gigante da Colina, foi ganhando chances nas seleções de base, e junto com o resto do plantel do Brasil Sub-20, foi campeão do Torneio de Toulon daquele ano, no final do ano, subiu de divisão com o Vasco.

Chega 2015 e Thalles acaba sem deslanchar muito, fez 30 partidas pelo Vasco e apenas 3 gols, todos na campanha da Copa do Brasil, e novamente viu o time ser rebaixado, mas no Brasil ele seguia bem e fez 3 gols na campanha do 4º lugar do Brasil no Sul-Americano de 2015.

E em 2016, parecia ser a redenção que Thalles tanto necessitava. O Vasco subiu pra Série A, mas sem ele dificilmente isso ocorreria. Durante a competição ele fez 7 gols, mas 2 deles foram absurdamente especiais. Última rodada, Vasco x Ceará no Maracanã, depois de passar grande parte da competição na liderança o Vasco enfrentava o Ceará estando em 4º e podendo ficar sem o acesso, e os cearenses em pleno Maraca saíram na frente pro desespero da torcida do Vasco.

A sorte era que, ao mesmo tempo o Oeste que necessitava da vitória contra o Náutico, em Pernambuco, ia vencendo por 2x0 o concorrente direto do Vasco, mas a torcida do Vasco tinha seus motivos pra ser pessimista, afinal a situação do time ia de mal a pior naquela reta final, e dos pés de Thalles, vieram os 2 gols do alívio, que tiraram um "Ufa" de cada vascaíno tenso naquele momento, junto com os gols de Thalles, veio a emoção, Thalles não conseguiu segurar as lágrimas, era o momento mais decisivo da carreira dele, e ali parecia que as coisas iam mudar.

Mas não mudaram. Iniciou 2017 visivelmente acima do peso e não conseguiu se destacar no Vasco, e sem espaço no elenco foi emprestado ao Albirex Niigata, do Japão, no ano seguinte, onde fez 6 gols em sua curta passagem, mas para 2019 era iminente que ele não teria espaço e assim foi novamente emprestado, para a Ponte Preta, e lá estava conquistando seu espaço, tinha seus golzinhos anotados, mais precisamente 4 pelo Paulistão, mas na Série B deixou de ser escalado com frequência.

E em decorrência de tudo, após sair de um baile funk, veio a tragédia, a catástrofe. O fim inimaginável de uma vida, de uma carreira que poderia ser muito melhor, que poderia ter tornado ele em um grande jogador, que poderia ter exportado ele para a Europa, que poderia ter tornado ele em uma opção para os centroavantes da Seleção Brasileira, mas o "que poderia" não determina nada na vida, e infelizmente, uma das carreiras mais promissoras que chegou a despontar em solo tupiniquim, se encerra junto com a vida de um garoto criado nas favelas do Rio de Janeiro.

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