O rodízio de técnicos no Brasil

Foto: UOL

Por Gabriel Santos
FutebolNews

É cultural a troca de técnicos no Brasileirão mas ultimamente está ficando fora do normal. Na última semana, em um prazo de 2 dias, rodaram Ceni, Cuca, Zé Ricardo e Oswaldo. Fluminense é o único que ainda não anunciou substituto: o próprio Ceni voltou pro Fortaleza, Diniz foi pro São Paulo e Abel Braga foi pro Cruzeiro, inclusive estreando com derrota pro Goiás.

Mas por que isso acontece com tanta frequência? Má vontade dos dirigentes? Os treinadores realmente merecem? Bom, cada caso é um caso e pode ser qualquer um deles, mas o que vai ficando cada vez mais comum no Brasil é a formação de panelas.

Ano passado a demissão de Aguirre foi um exemplo ótimo disso. O São Paulo vinha muito bem, com Nenê, Éverton e outros jogando bem. De repente o time decai, os resultados não vêm e a chapada do Nenê vira o que? A PANELA DO NENÊ! 

As panelas, ou qualquer outro nome popular pra quando técnicos caem por má vontade do time, se tornam mais comuns. Os jogadores cada vez mais não aceitam ficar no banco, por se julgarem superiores, e quando junta um grupo de 3 ou 4 jogadores nessa ladainha, já era.



A panela é só um motivo, existem outros como a péssima relação estabelecida entre alguns treinadores com seus comandados, o que seria o contrário das panelas, talvez. Afinal, quem não deu umas boas gargalhadas com o Ganso chamando Oswaldo de burro e o técnico tricolor revidando, chamando o meia de vagabundo? Para um mero espectador isso é engraçado, mas para o torcedor e qualquer um que conheça as situações que causam crises internas, já dá pra saber que o clima no vestiário é péssimo.

Com jogadores cada vez mais insatisfeitos, diretorias não correspondendo ao tamanho de seus clube, com salários atrasados e etc., esse rodízio de treinadores se torna comum. A tendência é que cada vez mais jogadores vão surfando na onda da insatisfação com a reserva, e que os técnicos façam cada vez mais linha dura, dificultando a relação. E dessa maneira, não se sabe até que ponto os vestiários de vários clubes brasileiros irão suportar ter tantos treinadores em uma temporada, de estilos tão diferentes.

O Cruzeiro é um ótimo exemplo: começou com Mano, crise, Mano demitido. Ceni chega com boas ideias, não se entende com Thiago Neves e companhia, demitido. E no lugar de um Ceni que quer comprometimento de cada um, vem o Abel Braga, famoso paizão. São características completamente opostas! E com toda essa displicência de dirigentes ao contratar qualquer nome, e de jogadores ao não saber agir com profissionalismo diante a um jogo no banco de reservas, não se sabe até que ponto a desorganização administrativa no nosso futebol poderá chegar. Cruzeiro e Fluminense podem acabar caindo por todos esses problemas, e se caírem, pelo sistema de cotas da Série B, ninguém garante que volta. E a culpa disso tudo é um planejamento feito pelas coxas.

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