Incompetência dos árbitros ou ineficiência do VAR?

Foto: Reprodução/CBF
Por: Guilherme de Carvalho Alves/FutebolNews

Desde que foi instalado no futebol brasileiro, o uso (ou mal uso) do Árbitro Assistente de Vídeo, mais conhecido como VAR, tem gerado inúmeras reclamações por torcedores de todos os times de futebol do país. No entanto, qual será o verdadeiro motivo para o não funcionamento perfeito desta ferramenta no futebol brasileiro?



Por mais que seja algo que tenha surgido para o bem, com o intuito de extinguir cada vez mais as injustiças dentro das quatro linhas e diminuir drasticamente os erros humanos, infelizmente não é isso que observamos aqui no Brasil. Tal ineficácia no "País do Futebol" se deve a uma série de fatores que não dizem respeito apenas ao material tecnológico, mas também humano, que incluem árbitros sem a devida qualificação, muito por conta da péssima gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Por décadas os clubes reclamam da qualidade dos árbitros brasileiros em comparação com a Europa; e com razão, já que muitos dos erros recorrentes aqui são improváveis de acontecer no futebol europeu, ainda mais com tanta frequência. Entretanto, tais erros também não tem apenas um responsável, pelo contrário.

Vale lembrar, que diferentemente da Europa, no futebol brasileiro a arbitragem nacional não é profissional, o que impede que eles se dediquem exclusivamente à profissão, impossibilitando o estudo mais aprofundado do jogo e de suas regras, e também de treinamentos exclusivos para exercerem sua função com mais perfeição dentro de campo.

Por isso, independente de qual fosse a tecnologia implantada e por mais que funcionasse em quase 100% dos casos em outros países, é natural esperar que ela seja questionada no Brasil. Afinal, pode-se afirmar que aqui há uma certa predisposição a duvidar das decisões da arbitragem por inúmeros fatores.

Foto: Divulgação/CBF

No entanto, é preciso refletir um pouco sobre as cobranças feitas em relação ao VAR. Lances como em impedimentos assinalados pela máquina tem chances mínimas de erro, já que a posição dos jogadores no momento do passe, definido pelos assistentes, é calculado matematicamente pela ferramenta, diminuindo em quase 100% as chances de que um equívoco seja cometido. Por outro lado, é válido destacar que o momento do passe para a análise do impedimento é escolhido pelo próprio árbitro e seus assistentes, o que facilmente pode ser manipulado, visto que no Brasil não é novidade a existência de árbitros mal intencionados.

Além disso, lances capitais em que o árbitro é chamado para revisar a jogada e tomar sua decisão podem, e devem, ser questionados quando há um equívoco. Afinal, neste tipo de jogada não há calculo matemático para determinar se o jogador estava impedido ou não, o que define se a jogada foi faltosa ou não, se é para expulsão ou não, é a interpretação da arbitragem que, com já citado, não tem o respaldo necessário para se dedicar exclusivamente ao esporte.

Portanto, criticar única e exclusivamente o árbitro de vídeo é um equívoco e arrogância extrema. Pedir para que uma ferramenta implantada para acabar com as injustiças no esporte seja retirada dos gramados é pedir para que resultados injustos, definidos por erros de campo, voltem a acontecer rodada após rodada.

Foto: Ricardo Moreira

Não que resultados injustos não aconteçam, até por que estamos falando do Brasil; mas tais erros não são culpa da ferramenta, e sim do material humano, que é precário. Se os erros fossem unicamente ocasionados pelo VAR, ele já teria sido retirado no mundo inteiro, e o que vemos é totalmente o oposto disso, já que em campeonatos europeus o funcionamento dele passa muito perto da perfeição. No futebol brasileiro, os erros recorrentes que acontecem não são culpa da tecnologia, e sim da incompetência dos árbitros e da CBF, que gerem bisonhamente seus profissionais.

Sem dúvida é necessário cobrar, mas tais cobranças devem ser direcionadas ao que de fato deve ser cobrado, e não focar críticas em uma única vertente de um labirinto de erros que tem diversos culpados.

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