Análise | O legado que a final do mundial deixou para o futebol sul-americano

Foto: REUTERS

Por: Alexandre Leite
Futebol News, Minas Gerais

Todo amante de futebol deve reconhecer a grande diferença, em nível tático e técnico , entre os clubes sul-americanos e europeus. Não é atoa que todo jogador sul-americano sonha em conquistar seu espaço em um grande clube da Europa, já que a visibilidade e a probabilidade de chegar à seleção e ganhar títulos jogando por essas equipes é muito maior do que se mantendo no futebol sul-americano.

O mundial de clubes da FIFA é um torneio que deixa muito evidente toda essa supremacia europeia. Além da maior quantidade de títulos (33 no total, contra 26 sul-americanos), a superioridade técnica, tática e administrativa dos europeus é muito perceptível dentro das quatro linhas.

Mesmo as equipes sul-americanas que conseguiram levar o troféu pra casa, como é o caso do Corinthians e Internacional, por exemplo, não conseguiram apresentaram um futebol que se equiparasse ao dos europeus. Apesar de terem vencido, essas equipes jogaram com uma proposta mais defensiva, de tentar vencer a partida no erro do adversário. Isso claro, não tira o mérito dessas equipes, que foram muito eficientes na sua proposta de jogo e venceram merecidamente a partida. Mas o ponto a ser ressaltado aqui é a dificuldade que uma equipe sul-americana tem para fazer um jogo parelho, de igual para igual, com um grande clube europeu.

E nesse ano de 2019, a equipe do Flamengo, treinada pelo português Jorge Jesus conseguiu mostrar para o mundo uma coisa que já não era vista há muito tempo. Que é justamente esse equilíbrio dentro de campo.

O Flamengo não se intimidou perante ao poderoso Liverpool, líder do campeonato inglês e campeão da Champions League. Jorge Jesus fez questão que a equipe mantesse sua essência e repetisse tudo que fez com que ela se tornasse campeã do brasileiro e da libertadores nessa temporada. Que é marcar em cima, pressionar e jogar de forma ofensiva e intensa durante toda a partida.

E foi exatamente isso o que a equipe fez dentro de campo. Desde o primeiro minuto de jogo buscou a vitória e partiu pra cima dos adversários. E graças a isso, a equipe carioca teve chances reais de vencer a partida.

No final, é fato que a qualidade técnica e individual dos jogadores acabou prevalecendo. As boas atuações de Alisson, Van Djik e Firmino acabaram garantindo a vitória ao clube inglês. Mas o Flamengo, durante toda a partida mostrou que poderia vencer, e em alguns momentos do jogo até mereceu abrir o placar.

Apesar da derrota, o torcedor rubro-negro tem muito do que se orgulhar, e as equipes sul-americanas a aprender. O Flamengo mostrou para o mundo que mesmo com investimento menor, jogadores menos prestigiados, é possível enfrentar de igual para igual um clube europeu. Basta ter coragem para manter a essência e jogar da mesma forma que a equipe joga durante todo ano, basta acreditar, partir para cima e se entregar até o último segundo.

E que toda essa supremacia europeia das últimas décadas pode sim ser quebrada. Afinal, apesar de novamente um clube europeu ter vencido o mundial de clubes deste ano, os principais protagonistas foram brasileiros. Alisson que fez uma grande semifinal, com ótimas defesas, Firmino, que fez os 2 gols da equipe inglesa na competição, e Bruno Henrique, que conquistou o troféu bola de prata da competição.

Foto: Francois Nell/Getty Images

Isso mostra a força do futebol sul-americano. Ainda é possível sonhar. Claro, que com a reformulação do mundial, que passará a ter 24 clubes disputando, sendo 8 da Europa, 6 da América do sul e o restante dividido entre os demais continentes, a tarefa fica ainda mais difícil. Mas é preciso que as equipes sul-americanas utilizem o exemplo do Flamengo e não se intimidem, não tenham medo de tentar, porque é sim muito difícil, mas nunca impossível.

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