Análise tática: Por que o Internacional acerta na contratação de Coudet

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Correio do povo
O futebol brasileiro segue sendo cíclico. Tivemos a fase dos técnicos interinos assumindo, depois a volta da 'velha guarda' e agora estamos no momento de apostas de estrangeiros assumindo o comando técnico de clubes, começou com Sampaoli no Santos, Jorge Jesus no Flamengo veio logo depois.

Hoje eu estou começando uma série analisando o contexto tático desses novos treinadores que estão começando seus trabalhos no futebol brasileiro, cada semana irei analisar um nome diferente que assumiu um novo trabalho nessa inter-temporada. O nome de hoje chega da Argentina, mais precisamente de uma das torcidas mais fanáticas do planeta, o Racing. Vamos falar de Eduardo Coudet.

Anteriormente...

O Internacional teve a queda para série B em 2016, após esse fracasso o time gaúcho optou por filosofias mais defensivas, começou trazendo Antônio Carlos Zago (atualmente no Bragantino, campeão da série B), em uma tentativa frustrada de implementar uma filosofia ofensiva, com posse de bola e agressividade, não deu certo e ele durou muito pouco. Logo depois veio Guto Ferreira e então Odair Hellmann, que até tentou implementar um estilo ofensivo já na sua chegada, mas as peças que o grupo colorado tinha o fizeram optar pelo estilo que que o levou até a final da Copa do Brasil. Então chegamos ao nome da vez, Eduardo Coudet e eu vou explicar porque ele foi um grande acerto da direção do Internacional.
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LANCE!
Eduardo Coudet, diferente do que toda mídia brasileira vem dizendo, não é o cara que prioriza a posse da bola. Não que ele não tenha ideias que prejudiquem a manutenção dela no pé, mas seu esquema de jogo funciona com pressão e ataques rápidos, porém letais. Além de saber utilizar muito bem jogadas de bola parada.

Modelo de jogo

Youtube - Tempo de Futebol
Alinhavado no esquema 4-1-3-2, Coudet se baseia muito nesse tripé de meio campistas atrás do dos dois atacantes, além de possuírem bom passe e conseguirem romper o sistema defensivo adversário, eles pisam na área e também finalizam ao gol adversário. Os atacantes também têm papel importante no esquema. Eles atacam não somente o miolo, mas também pelos lados, e costumam jogar no que chamamos de entre-linhas (linha de meio-campistas e defensores).

Criando a jogada ou roubando a bola no campo de ataque do adversário, a metodologia do Coudet é bem clara: ataques rápidos.

Pressão

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A palavra chave do sistema de Eduardo é simplesmente a intensidade, ela é a base de tudo. Ele já liberou a dieta e o que os jogadores do elenco do Internacional devem fazer nas férias para chegarem preparados para a pré-temporada intensa que o time vai ter. Ele busca jogadores que sobem a marcação, fechando qualquer opção de passe adversária (como na imagem) e forçando para que a bola seja devolvida, em forma de chutão ou até mesmo roubando ela. Quando os jogadores perdem a posse de bola, ele faz a mesma coisa, alinham-se e buscam retomá-la o mais rápido possível.

Variação tática

MW Futebol

O jogador que fica mais atrás no esquema de Coudet, no caso o meia-central do tripé, é responsável por todo comando de ataque, é ele quem dita o ritmo e quem distribui a bola para o restante dos jogadores, como um segundo volante na hora da armação que trás a bola consigo. Já o volante do esquema de Coudet precisa de duas coisas fundamentais: um bom primeiro passe e desarmes precisos.

Em resumo o quinteto de ataque nunca fica parado. Eles se movimentam e sempre estão pisando na área, mesmo começando às jogadas pelos lados eles afunilam e centralizam o jogo. Dando a opção da chegada para a finalização de média/curta distância.

Recomposição defensiva

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O atacante de mais movimentação, nesse caso Lautaro Martínez, é quem tem a função de prender os zagueiros para que a bola não avance, fazendo com que o time adversário não avance tanto às linhas, principalmente os zagueiros. O jogador mais espetado, nesse caso Lisandro López, não recua tanto e oferece cadência de jogo quando necessário.

Zaracho, Cardozo e Centurión também fecham os lados e auxiliam no sistema de Coudet para que ele possa roubar a bola e claro: chegar rapidamente ao gol adversário.

Tecnologia e aspectos gerais

Coudet é um técnico moderno, e com isso quero dizer que ele sempre utiliza da tecnologia para conseguir facilitar seu trabalho. Ele gosta dos números e utiliza isso ao seu favor.

Em resumo, é um técnico que gosta do dinamismo, da boa agressividade e velocidade no setor adversário, que também não descarta a construção de jogada com a bola no pé e que se importa com os números, sejam eles de quilômetros percorridos, finalizações entrando pelo lado direito ou até mesmo o número de passes trocados em determinado setor do campo.

O Internacional dá um passo à frente na escolha de seu novo técnico, e se bem municiado pode colher esses frutos antes do esperado.

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