Os times Sul-americanos ainda conseguirão vencer novamente o Mundial?

Por: Naor Andrade 
FutebolNews, São Paulo


A ambição dos Sul-americanos.

De um modo geral, sempre vemos nas equipes campeãs da Copa Libertadores um sentimento de ainda não satisfeito, pois o valor que é dado ao mundial de clubes é muito alto. Mesmo com uma temporada de sucesso que um clube sul-americano venha a ter, ainda não provou seu valor internacionalmente, e mesmo com as conquistas no continente, o mundial nos cai como uma “cereja do bolo”, e o último passo para a glória eterna. Como nós mesmos não consideramos as equipes do nosso continente as melhores do planeta, vemos essa necessidade de um confronto, principalmente contra os europeus, para provar que somos realmente os melhores do mundo.
Em caso de vitória, ou até mesmo atuação competitiva e satisfatória, cabe a nós comemorar mesmo, pela dificuldade de enfrentamento, e pela diferença nos recursos financeiros, o que leva também a uma grande diferença técnica.



Os europeus não dão valor ao mundial ? 

O maior motivo para esse “tanto faz” dos europeus com relação ao mundial, é por terem a sensação e a certeza de que a Liga dos Campeões é a competição com os maiores e melhores clubes do mundo, ou seja, o vencedor dessa competição não precisa provar mais nada a ninguém, pois já passou pela maior dificuldade mundial atualmente. Outro motivo é que o mundial não é algo atrativo para eles, pois nos dias atuais esses times tem verdadeiras seleções mundiais em seus times, e ser colocado à prova contra times mais fracos não tem muita vantagem. Se ganha, não fez mais que a obrigação, mas se perder é um vexame. Além de também atrapalhar a temporada europeia, pois o calendário do futebol europeu nessa época do ano que ocorre o mundial, se choca com o meio de temporada das competições nacionais e internacionais, onde existe uma maior concentração de jogos. Também é ruim por conta da logística e diversos outros motivos, que causam esse desinteresse europeu.

O novo formato.



Durante a história tivemos alguns formatos de mundial de clubes, de 1960 a 1979, um formato com jogos de ida e volta, que os sul-americanos venceram 10 e os europeus 8 oportunidades. De 1980 a 2004, jogos únicos no Japão, houve igualdade no número de conquistas 13 para a Europa e 13 pra a América do Sul. A partir de 2005 com a organização da fifa e ainda jogo único, os europeus tomaram a frente no resultado geral, hoje temos 33 conquistas para os Europeus e 26 para os Sul-americanos.
A partir de 2021 o mundial de clubes será disputado em um novo formato, a competição será composta por 8 clubes da Europa, 6 da América do Sul, 3 da Concacaf, 3 da África e 1 da Oceania. Em grupos de três equipes, os últimos campeões da Liga dos Campeões e da Europa League das quatro últimas edições enfrentarão as seis equipes sul-americanas, quatro das seis serão os campeões das duas últimas edições da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. 
Será disputado a cada quatro anos, a primeira edição acontecerá entre 17 de junho e 4 de julho de 2021, na China. Xangai, Tianjin, Guangzhou, Wuhan, Shenyang, Ji’nan, Hangzhou e Dalin são as cidades que receberão partidas da competição.

A supremacia europeia acabará ?

Existem duas formas de enxergar o futuro com esse novo formato de mundial. 
A primeira e mais otimista nos faz imaginar que pelo maior número de equipes do nosso continente enfrentando-os por vezes, as equipes irão evoluir e se acostumar a disputar em alto nível contra essas verdadeiras “seleções”. 
A visão mais pessimista nos faz pensar que por ter mais times europeus na competição, eles mostrarão ainda mais o desnível em comparação com os times do nosso continente, e que provavelmente nos arrependamos, levando a pensar que a nossa chance era realmente em jogo único, quando tudo pode acontecer.

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